O presidente da Câmara da Serra é um dos acusados. Ele deve ser afastado e perder o mandato
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) ingressou com denúncia contra eles e um ex-parlamentar da Serra por suspeita de corrupção passiva, solicitando à Justiça o afastamento cautelar dos mandatos. Entre os acusados está o presidente da Câmara Municipal, Saulinho (PDT).
A ação, apresentada à 2ª Vara Criminal da Serra na quarta-feira (13), também envolve os vereadores Cleber Serrinha (MDB), Teilton Valim (PDT) e Wellington Alemão (Rede), além do ex-vereador Luiz Carlos Moreira.
Segundo a promotoria, os parlamentares teriam solicitado e aceitado promessa de vantagem indevida durante a tramitação de um projeto de lei apresentado, em 2024, pelo então prefeito Sérgio Vidigal (PDT), que tratava da regularização de imóveis urbanos pertencentes ao município. O caso veio à tona após a obtenção de uma gravação de reunião entre os denunciados.
Oferta de propina em dinheiro ou terreno
De acordo com o MPES, a reunião ocorreu no dia da votação do projeto e teve como foco uma emenda apresentada por Wellington Alemão. No encontro, gravado e enviado à Polícia Civil, foi discutida a possibilidade de pagamento de R$ 100 mil ou a entrega de um terreno de 6 mil metros quadrados, localizado em Balneário Carapebus. Conforme a denúncia, os vereadores demonstraram preferência pela quantia em dinheiro.
O órgão afirma que Wellington Alemão atuou como intermediário de quem oferecia a vantagem ilícita. Em um trecho do áudio transcrito na denúncia, ele afirma:
“Não vou mentir pra ninguém, o cara conversou comigo ontem à noite. E conversou hoje de manhã… se vocês não quiserem votar hoje e quiser que dá em dinheiro eu vou atrás do cara também, entendeu?”
O documento não identifica quem seria “o cara” nem confirma se a propina chegou a ser paga.
Aprovação e veto parcial
O projeto foi aprovado em 7 de junho de 2024, mas a emenda de Wellington, declarada inconstitucional, foi vetada parcialmente pelo prefeito no fim do mesmo mês.
A investigação também aponta que houve tratativas semelhantes envolvendo outros projetos, como o Plano Diretor Municipal e uma proposta de alteração dessa lei.
Ordem pública em “xeque”
Para o Ministério Público, as condutas apuradas estão diretamente ligadas ao exercício dos mandatos e indicam risco concreto de novas práticas ilícitas:
“Os fatos que podem ser extraídos do áudio levados a conhecimento do MPES são extremamente graves e colocam a ordem pública em xeque, devendo, para protegê-la, afastar aqueles que possuem a intenção de feri-la de suas funções públicas”, declarou a promotora de Justiça Giselle de Albernaz Meira.
O pedido de afastamento segue em análise pela Justiça e deve ser acatado, conforme parecer da denúncia da promotoria de justiça.



























